Sobre calouros e bichos do mato

Há horas que somos obrigados a aceitar as coisas, mesmo que a ficha não tenha caído totalmente.

Você descobre que tudo que conseguiu acumular ao longo de 17 anos foram apenas cinco caixas nem tão grandes assim e que, mesmo assim, tem dificuldade de organizá-la num quarto pequeno e desconhecido.

Aqueles discursos intermináveis sobre coisas que já cansou de ouvir se intensificam a cada dia que passa. A tensão e ansiedade se fazem presentes no momento em que se aproximam.

Enfim quando ele chega, você implora para poder dormir até tarde só para passar menos tempo sofrendo. Mas o horário de verão mudou e ficar rolando na cama é tão angustiante quanto.

Você se arruma com aquela roupa que é digna do lixo, e se prepara para o tão esperado primeiro dia de aula. Como nunca andou de ônibus, a mãe, que tem alguns documentos para ver na faculdade te acompanha juntamente com a sua irmã, já que não pode deixá-la sozinha em casa.

Bom, como tudo isso era novidade, só para descobrir qual se deve pegar e onde vai escrito o nome dele levou uns bons vinte minutos. É por isso que resolvemos sair de casa antes da uma da tarde, mesmo que a aula só começasse às duas.

Não se sabe se pela falta de experiência ou por simples loucura no transito em plena hora do rush, mas faltando apenas quinze minutos para as duas horas da tarde, o ônibus finalmente passa na frente da sua faculdade. Só que você não sabe que tem que puxar a maldita cordinha para que a porta se abra. E ele começa a andar novamente, mas você está lá dentro.

Aí você grita, uma alma caridosa puxa a corda e o motorista, solidário com a nossa sina de bicho do mato, freia para que desçamos. Claro que o mico já estava pago, então, bola pra frente.

Andando de um lado para o outro, encontramos o pavilhão sem muita dificuldade. Mãe me deixou lá perdida e envergonhada com um monte de gente que nunca vi na vida, mas conversei um pouco online. Claro que ninguém naquele momento está reconhecível.

De praxe, entramos na sala, alguns professores nos são apresentados e começa a tão sonhada primeira aula. Metade da turma faltou, e mesmo assim a sala parece cheia. Após algum tempo, saímos de lá com a nossa primeira pesquisa e prontos para encarar o trote.

Com direito a muita tinta, elefantinho, hino gritado, coca (olha que veteranos legais!) pros que não bebiam, água para os que não tomavam nem refrigerante. É claro que muita cerveja. Então o dinheiro acaba, mas ainda não tem ninguém bêbado. Então lá vai as calouras pedirem dinheiro na lombada.


Não, eu não. Já tinha colaborado com seis reais, tomado três copos de coca-cola e estava mais do que satisfeita. Mas fiquei no meio fio dando muita risada apoio moral.

Obviamente fiquei mais do que apaixonada pelos nossos veteranos fofos, morri de rir (quem não lembra do: “Seja cavalheiro...”,” Meu bem, eu sou viado e veterano, isso não me pertence.”) e acabei rouca no fim do dia, mas sem traumas. Com exceção das duas horas que levei para tirar toda tinta do cabelo.




O trauma veio durante a noite, numa sessão de cinema com uma amiga às dez horas. Eu não sabia absolutamente nada do filme, apenas que tinha o Daniel Radcliffe no elenco e, como minha amiga era uma Pottermaníaca, ela precisava assistir. Obviamente perguntei se era de terror. Não, é de suspense, me disseram.

A quem interessar possa, eu não assisto terror há anos, não consigo. Minha única paixão do gênero é por The Walking Dead, porque é de zumbis, e isso é definitivamente impossível de acontecer. Quando envolve fantasmas, espíritos e afins eu simplesmente travo e me apavoro.

A Mulher de Preto é um ótimo filme para quem gosta do gênero, mesmo que o final tenha sido decepcionante para alguns, eu achei que condizia muito com a história. Ótimos efeitos e uma trama muito, muito bem feita.

Todo ambiente era bem desolado e a trilha sonora ajudava naquele ar de suspense, pelo menos foi o que pude perceber nos momentos em que não estava com os olhos e ouvidos tampados.


Cheguei em casa morrendo de dor de cabeça, mas feliz. Arrumei minha cama e desmaiei. Havia sido um dia daqueles, mas não no sentido ruim.



Não se esqueçam de participar da promoção clicando aqui!

Promoção - Kit Beijada por um Anjo, Memórias de uma Gueixa + Liberte meu Coração




PROMOÇÃO ENCERRADA!


Depois de um longo mês de enquete e de muitos votos (chegamos aos 200!), finalmente venho com a promoção tão esperada de comemoração à volta do blog. Como não costumo, e nem gosto, de fazer as coisas pela metade, resolvi me aliar a um outro blog para lhes presentear com um combo! Em parceria com o blog Macchiato, iremos sortear os seguintes prêmios:


  • Kit da série Beijada por um Anjo 5
  • Livro Memórias de uma Gueixa + Liberte meu Coração

  • Regras
  1. Seguir o blog Realidades Utópicas via GFC (não precisa ter um blog para isso)
  2. Curtir o blog Macchiato no Facebook
  3. Deixar um comentário neste post (para validar  sua participação)
  4. Preencher o formulário corretamente: Clique aqui!
  5. Ter endereço de entrega no Brasil
  6. Serão dois sorteados. O primeiro escolhe os livros ou o kit, o segundo fica com o outro.
  7. Promoção válida até o dia 30 de Março de 2012.


  • Chances Extras
  1. Curtir a página do blog Realidades Utópicas no Facebook ( Preencher +10)
  2. Seguir o blog Macchiato no Networked Blogs (Preencher +10)
  3. Seguir a @jadeafranco no twitter (Preencher +7)
  4. Seguir a @amy_macchiato no twitter ( Preencher +7)
  5. Adicionar a página do blog Realidades Utópicas no círculo do Google+ (Preencher +5)
  6. Adicionar a página do blog Macchiato no círculo do Google+ (Preencher +5)
  7. Colocar o banner, mais abaixo, na sidebar de seu blog (Preencher +5)
  8. Comentar na resenha de Liberte meu Coração (Preencher +3)
  9. Comentar na resenha de Memórias de uma Gueixa (Preencher +3)
  10. Comentar nas postagens posteriores ao dia 26/02/2012 (Preencher +2)
  11. Divulgar no twitter/skoob/facebook a seguinte frase (apenas seis vezes por dia): (Preencher +1)
Eu quero ganhar o combo de Livros que a @jadeafranco e a @amy_macchiato estão sorteando no blog! http://migre.me/83yyT.





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Para cada chance extra preencher o formulário novamente o número de vezes indicado.



Cheio de chances extras para ninguém reclamar que não teve a oportunidade. Divulguem bastante e participem! Os prêmios são bons e serão entregues em até um mês. Pretendia usar um outro método de formulário, mas achei muito complicado e me poupei o trabalho. Quem não quer participar, não precisa, basta deixar um comentário abaixo que eu visitarei o blog na minha rotina normal. Participem! :)

Brilhante, um gênio, ou apenas um louco



Ele tinha aquele jeito de quem não sabe muito bem o que vai fazer da vida. Vivia um dia de cada vez como quem não tem pressa e nem compromissos. Se o visse usando algo que não fosse bermuda e chinelo, era algo sério. Mas nunca, em hipótese alguma, um emprego.

Não, ele não aceitava ir trabalhar onde era obrigado a usar o que não queria e na hora em que queria. Acho que era por isso que era bicho solto na praia, um plâncton no mar vasto que acha que a areia é o seu lugar, apenas porque todos diziam que não o era.

Ressabiado era aquele tipo que se calava, saia de perto e ia pensar. Depois voltava sério, falava meia dúzia de palavras e antes que você pudesse dar a resposta já estava rindo de algo inútil que acabara de dizer.

"Não se pode perder tempo com coisas que te preocupam."

Era o que ele dizia.

"Devem ser resolvidas da maneira mais simples possível e simplesmente esquecidas como se jamais houvessem estado lá."

Eu que era neurótica e descabelada, sempre correndo de um canto pro outro tentando resolver as incumbências da vida, não sabia se ficava irritada por vê-lo sempre caminhando na orla tranquilamente ou se invejava-o mortalmente.

Não conseguia entender como um homem agia alheio ao tempo e ao espaço. Ele era brilhante, um gênio. Talvez, apenas mais um louco. Só sei que não bastou mais do que duas dúzias de vezes para que ele me notasse correndo de um lado para o outro como a atarefada que eu era, nem meia dúzia de vezes para que risse da minha cara sempre que o celular tocava e eu, achando-me uma possível equilibrista, tentava atender, carregar os livros com uma mão e correr ao mesmo tempo.

Mas bastou apenas uma vez que os livros caíssem no chão para que ele se aproximasse e me ajudasse a recolhê-los. Ao fim, com aquele ar relaxado, ele sorria e dizia:

"Mais devagar, seus compromissos não estão correndo de você, quando você chegar eles ainda estarão lá te esperando para resolvê-los."

E eu sorria, sem graça. Encantada por um estranho que levava quase tudo na brincadeira e parecia ter a vida mais mansa do mundo. Ele sorria e eu me revirava por dentro, achando que ele não tinha sequer o direito de opinar na minha vida.

Agradeci rapidamente e sai andando até o ponto de ônibus, tentando levar em consideração o que ele havia dito, indo com calma.

"Ei, mas o ônibus não espera, ok? Na próxima vez acorda mais cedo!"

Olhei em direção ao ponto e vi o meu ônibus se afastar. Gritei exasperada, joguei os livros no chão e me sentei ali no calçadão. Olhei pro senhor eu-não-tenho-nada-pra-fazer e comecei a rir. Ele sorriu e veio sentar ao meu lado. Em poucos minutos descobri que ele era brilhante, um gênio, ou apenas um louco. Talvez tudo isso junto.


Há séculos eu não conseguia escrever algo assim. Não sentia aquela sensação gostosa que se sente quando uma frase vem na cabeça, você digita ela e o resto sai automaticamente, você não saber o que vai escrever até escrever. Particularmente, gostei. Espero que tenham gostado. Domingo tem surpresa hein!

A Verdadeira Face do Horror




“O terror e o horror possuem características tão claramente opostas que um dilata a alma e suscita uma atividade intensa de todas as nossas faculdades, enquanto o outro as contrai, congela-as, e de alguma maneira as aniquila. Nem Shakespeare nem Milton em suas ficções, nem Mr. Burke em suas reflexões, buscaram no horror puro uma das fontes do sublime, embora reconhecessem que o terror é uma das causas mais elevadas do sublime. Onde situar, então, essa importante diferença entre o terror e horror senão no fato de que este último se faz acompanhar de um sentimento de obscura incerteza em relação ao mal que tanto teme?”

- Ann Radcliffe, final do século XVIII.

Medo, choque, desconforto e nojo são características sempre atribuídas ao gênero do Terror, mas poucos sabem que também são características do Horror, um gênero pouco conhecido e sempre confundido com o citado anteriormente.

Os cemitérios, as trevas, os fantasmas, os seres monstruosos e, mais atualmente, os fracassos e os mistérios da ciência são os elementos principais do Horror.

Foi por intermédio da literatura gótica que o horror começou a ser pregado, mas foi com Edgar Allan Poe que o mundo foi apresentado ao horror visível, com acontecimentos espantosos, porém definíveis como os contos célebres “O gato preto”, “A queda da casa de Usher” e outros.

O Horror se firma em coisas que fazem sentido, coisas que são possíveis de acontecer numa situação remota. Ele é formado por suposições e superstições. Pela certeza da  morte, o medo da loucura, a tristeza da perda e a dor do fim do amor.

Este gênero está entre os meus preferidos e, como não poderia faltar, lhes indicarei duas obras que serão futuramente resenhadas aqui no blog. Elas são:

  • Contos de Horror do Século XIX: Com nomes como Tolstói, W.W. Jacobs, Edgar Allan Poe, Bran Stoker e tantos outros que estão me encantando – ou horrorizando – conforme avanço na leitura. Também devo citar a introdução por Alberto Manguel que me serviu de suporte para essa postagem.

  • Poe 200 Anos: Esse é uma antologia com contos inspirados nos de Edgar Allan Poe que, confesso, me surpreendeu. Feito por autores diversos e brasileiros, há contos de uma qualidade incrível que me deixaram incomodada dias à fio.

Por fim, uma coincidência: ambos os livros comprei em sebos, o que dá um ar de suspense na leitura.

Essa postagem é uma parceria com o blog Macchiato. Ela postou um outro gênero no blog dela. Confira aqui:
Herdeiro da epopeia, o romance moderno é tipicamente um gênero narrativo, assim como a novela e o conto. No romance, um personagem pode surgir em meio a história e desaparecer depois de cumprir sua função. Outra distinção importante é que no romance o final é um enfraquecimento de uma combinação e ligação de elementos heterogêneos, não o clímax. (Continue Lendo)



A promoção da agenda está oficialmente FECHADA, cliquem aqui para conferir o ganhador. Amanhã será lançada a promoção dos livros da enquete em parceria também com o blog Macchiato, fiquem atentos! Espero que tenham gostado do post, quarta-feira outro gênero.

Resenha - Marina

  • Nome: Marina
  • Original: Marina
  • Autor: Carlos Ruiz Zafón
  • Gênero: Ficção
  • Páginas: 189
  • Editora: Suma de Letras
  • Sinopse: "Em maio de 1980, desapareci do mundo por uma semana. No espaço de sete dias e sete noites, ninguém soube do meu paradeiro. (...) Uma semana depois, um policial à paisana teve a impressão de conhecer aquele garoto; a descrição batia. O suspeito vagava pela estação de Francia como uma alma penada numa catedral de ferro e névoa. O policial me abordou com um ar de romance de terror. Perguntou se meu nome era Óscar Drai e se era o rapaz que havia sumido sem deixar rastros do internato onde estudava. (...) Na época, não sabia que, cedo ou tarde, o oceano do tempo nos devolve as lembranças que enterramos nele. Quinze anos depois, a memória daquele dia voltou para mim.Vi aquele menino vagando entre as brumas da estação de Francia e o nome de Marina se acendeu de novo como uma ferida aberta."


Não é nenhuma novidade a minha paixão pelo Carlos Ruiz Zafón, tanto que sinto-me até suspeita para falar de mais esse volume dele. Marina é um livro pequeno em comparação aos outros dois lançados no Brasil, mas tão emocionante e significante quanto qualquer outro do autor.

Sempre nos contando a estória pela visão da personagem, no caso Óscar Drai, é fácil sentirmos toda a emoção que transpassa o seu coração de adolescente. Também, com essa estilística, acabamos vendo e sentindo tudo junto com o personagem, sentindo suas mesmas confusões e euforias durante as descobertas, afinal, tem sensação mais revoltante do que você estar lendo e ficar "Como você não pode ver que foi ele que matou? Larga de ser burro!", e geralmente isso gera muito estresse.

Sobre Óscar não há muito o que falar, é um garoto que gosta de ficar vagando pela cidade e casarões esquecidos nos intervalos no internato. Já Marina, quem dá nome ao livro, é misteriosa na medida certa. Uma garota que vive com o pai, órfã de mãe e que esconde um grande segredo.


"Ao examiná-lo, estava profanando uma coleção de lembranças que não me pertenciam. Percebi que aquelas imagens de tristeza e infortúnio formavam, à sua maneira, um álbum de família. Passei as páginas repetidas vezes, pensando que existia entre elas um vínculo que ia além do espaço e do tempo. Finalmente, fechei o álbum e o guardei de novo na bolsa. Apaguei a luz, e a imagem de Marina caminhando em sua praia deserta inundou minha mente. Fiquei olhando ela se afastar pela beira da água até o sono calar a voz da maré."



Obviamente, é um livro do Zafón, então não se pode esquecer ou descartar a investigação e os mistérios que envolvem a trama. O assunto abordado dessa vez é uma grande polêmica, mas ao mesmo tempo te faz pensar sobre a vida e como cada um encara-a.

Cheia de euforia, devorei a obra em apenas algumas horas, ao terminá-la, tinha marcas de lágrimas na face. Como sempre, Marina é um livro frenético, encantador e emocionante. Nos relatando sempre uma Barcelona envolta em brumas e tramas. Recomendadíssimo.



Enrrolei para criar essa resenha mas consegui. É um livro que me encantou demais, que eu dei pra Thami de Amigo Secreto e já foi parar lá na Anna. Espero que tenham gostado. A promoção ainda vai rolar, quarta-feira eu fecho ela e faço o sorteio. Gostaram do novo layout? Aguardem que em breve teremos novidades.

Porcelana



Os passos duros ecoavam no asfalto quente, tão diferente do habitual jeito de felino no andar. A testa estava franzida e os músculos do ombro estavam tencionados. Aqueles gestos, além das mãos crispadas ao lado do corpo, eram as únicas demonstrações do transtorno em que sua mente se encontrava.

"- Você vai prestar atenção em mim? – A voz soou estridente e nervosa. – Ou preciso marcar um horário com a sua secretária?


- Como se você já não tivesse passado por cima dela quando chegou. – Ele sequer havia levantado os olhos dos papéis que estudava.

- Olhe para mim, Will!


Os olhos esmeraldinos estavam cheios de lágrimas e as mãos em punhos tremiam nervosamente. O moreno engoliu um suspiro amargurado quando levantou o olhar e soltou a caneta, passando a encará-la com a mesma intensidade com que se encarava uma porta.

- O que quer desta vez, Elisa?


Ela engoliu o choro, limpando a garganta para sua voz soar alta e clara.

- Você prometeu que sairia mais cedo do escritório no meu aniversário.


Willian arqueou uma sobrancelha.

- E...?


A ruiva o olhou indignada, deixando duas ou três lágrimas transbordarem, lágrimas essas que secou com a mão antes mesmo de chegarem ao fim de seu rosto.

- Hoje é o meu aniversário,Will."


Ele havia se esquecido, ele simplesmente havia esquecido-se da data. Mantinha-se tão absorto com os problemas da empresa que sequer se lembrara no aniversário da esposa. E, ao invés de tentar concertar a situação, preferiu rebater, prolongando e piorando a discussão.

"- Saímos de férias mal tem um mês.


Ela arregalou os olhos, indignada.

- Quem saiu de férias? – A voz estava falha pelo choro contido. – Você ficou trancafiado naquele maldito quarto de hotel pregado com aquele seu notebook. Ainda me surpreende o fato de ter se casado comigo, e não com ele.


O Cameron estreitou os olhos, incomodado com o comentário. Aquela havia sido a primeira ação que a fez acreditar não estar falando com um robô, mas com algo que deveria agir feito um ser humano.

- Estou cansado Lis, é problema atrás de problema para resolver. Não venha me encher com suas frescuras femininas.


- Sério? – Exasperou-se, gritando para quem quisesse ouvir enquanto fazia movimentos bruscos com os braços. – É para isso que existem as férias! Para relaxar.


Fungou, esperando que ele dissesse algo. Ele não abriu a boca. Já não tinha mais forças para gritar, nem para conter as lágrimas.

- Era para ser a lua-de-mel que adiamos por anos, mas se tornou eu andando sozinha numa cidade feita para casais apaixonados.


Willian suspirou, não comovido, mas um pouco incomodado com toda aquela cena. Abaixou a cabeça enquanto massageava as têmporas.

- Elisa... – Pediu, num murmúrio.

- Me diga, Will, qual a minha cor preferida? Minha música preferida?
A mulher colocou os braços em volta do corpo, como se assim pudesse proteger-se das futuras agressões, mesmo que essas fossem n'alma.

- A comida? Bebida? Banda? O nosso primeiro beijo? O que eu estava usando no nosso primeiro encontro?
Ele não respondeu.

- Qual a minha profissão?


- Médica.


Elisa riu amarga.

- Em que área eu atuo?


Silêncio, ele não abriu a boca. Sequer sabia a resposta.

- Qual o dia do nosso casamento?


Nada, ela suprimiu um soluço. Sentia o coração espatifar-se em migalhas e cair ao chão.

- Que diferença isso faz, afinal?


Ela abriu a boca, várias vezes. As lágrimas haviam secado naquele momento. Pensou em milhões de respostas, mas nenhuma era satisfatória. Por fim sorriu amarga, desistindo.

- Nenhuma. – Virou-se e caminhou em direção a porta. – Não faz nenhuma diferença."


Mas é claro que fazia, merda! Só que ele notou tarde demais, quando chegou em casa e encontrou-a tão vazia quanto uma sepultura. Em nenhum momento aquele lugar estivera vazio depois que se casara, ela sempre estava lá. Assistindo TV, pintando as unhas, limpando alguma coisa. Dormindo.

Só que agora não tinha ninguém, e pela primeira vez percebeu como o lugar era frio e impessoal. Em cima da mesa de jantar tinha um bilhete, o rosa brilhante do papel se destacava entre o preto e o cinza-metálico que impregnavam o ambiente.

"Só para ter certeza de que você notará que fui embora antes do fim do mês.
Elisa Ferreira."

Ferreira.

Depois que se casaram ela jamais havia usado o sobrenome da família, tinha um bobo e apaixonado orgulho pelo sobrenome Cameron. Dando ênfase nele na maioria das vezes que se apresentava a alguém.

Aquilo que antes costumava incomodá-lo, continuava incomodando-o. Só que dessa vez por um motivo completamente diferente. Vendo o sobrenome Ferreira naquelas linhas, soube que ela o havia deixado sem a intenção de voltar.

E o moreno não gostou daquilo, nem um pouco. Mas não manifestou-se, dizendo que era o melhor a se fazer. Passaram-se sete longos dias até que finalmente sentisse desespero e claustrofobia o suficiente para ordenar que a localizassem.

Agora estava lá, andando a passos duros no asfalto em direção ao hotel em que sabia que a ruiva estava. Decidido a faze-la voltar para casa nem se fosse amarrada.

Após ter ignorado o recepcionista e subido decidido até seu andar, estava pateticamente estagnado em frente à porta de madeira. Num suspiro derrotado, coçou o queixo áspero da barba mal-feita e desleixada, era agora.

Bateu na porta.

Nada.

Bateu de novo.

A visão que teve o partiu a alma, debaixo dos olhos avermelhados estavam um par de olheiras profundas, os cabelos estavam desgrenhados e a roupa amarrotada. A pele de porcelana que ela tinha estava seca e cheia de marcas de lágrimas, recentes, e antigas. Sempre gostara de compará-la à boneca clássica, principalmente pela semelhança da cor de fogo do cabelo, mas naquele momento parecia que uma criança levada havia pego um lápis e riscado todo seu rosto, deixando-a com aparência maltratada. Abriu a boca para começar a falar, mas ela fechou a porta na sua cara.

Ou quase. Se não tivesse colocado o pé no caminho.

- Você vai me escutar.

- Saia daqui. – Sua voz era chorosa.

- Elisa, por favor.

- Vá embora... – ela sussurrou, deixando o corpo escorregar pela porta, caindo no chão num baque surdo.

- Dia 23 de agosto de 2003.

- O quê? – levantou os olhos, confusa.

- Nós nos casamos no dia 23 de agosto de 2003. A sua cor preferida é o azul marinho. Sua música preferida é Broken, daquela cantora americana meio gótica e um cara de cabelo comprido. Você não tem uma banda preferida, por que gosta de muitas e jamais conseguiu se decidir. Sua comida favorita é a japonesa, não importa qual, desde que não tenha lulas ou polvos. E você sempre come acompanhada de sakê, mas gosta mesmo é de vinho branco, que toma uma taça todos os dias enquanto me espera chegar do trabalho. – Ele sorriu ameno, ela parecia atônita e o encarava do chão.

- O nosso primeiro beijo foi quase um acidente, aconteceu na nossa festa de formatura do colegial, ambos estávamos bêbados demais para tomar alguma decisão. Nosso primeiro encontro foi numa sexta. Jamais me esqueceria daquele dia, Lis. Você usava um vestido preto com detalhes em verde que realçava essa pele tão macia que você tem e deixava as estrelas com inveja do brilho de seus olhos.

Ela abriu a boca, mas ele não a deixou falar.

- Você sempre sonhou em ser neurocirurgiã, mas já estávamos noivos quando foi fazer a especialização e acabou escolhendo ser ginecologista, já que isso faria com que tivesse seu próprio consultório e, consequentemente, estaria em casa sempre que quisesse. Porque só bastava um imbecil longe de casa.

Ele sorriu amargo e ela o encarava muda.

- Posso entrar?

Ela maneou a cabeça afirmativamente para o rapaz que mantinha metade do corpo para fora do quarto. Ele sorriu e, com as pontas dos dedos, limpou os recentes rastros de lágrimas.

- Aceita de volta um babaca que sempre esqueceu de te dar o valor merecido?

Elisa abriu a boca para falar, mas a voz falhou. Limpou a garganta enquanto esboçava um fraco levantar de lábios.

- Se esse babaca prometer jamais fazer isso de novo.

O rosto dele voltou a ficar sério.

- Eu prometo.

E, assim, ele a beijou.




Conto curtinho, bobinho, meio sem pé nem cabeça. Mas eu gosto dele, por que surgiu de uma briga real minha e do meu bem. Acho a história bem clichê, mas é curtinha e uma das minhas fics mais populares. O que me submete a uma outra pergunta: Querem que eu poste fanfics minhas aqui também?
Sei que era para ser uma resenha, mas a resenha sairá no próximo post.
A promoção ainda está em andamento, assim que eu receber a resposta da editora eu já fecho ela. Corram!

Se amar fosse o suficiente


Eu queria dizer que você me basta, mesmo me dando tão pouco.

Eu queria dizer que te amar é a minha comida e minha bebida, o ar que eu respiro e que meu amor é solo suficientemente firme para que eu caminhe até você.

Eu queria que todas as sensações em mim se resumissem ao êxtase que sinto quando as pontas dos meus dedos tocam a pele de seu rosto e que toda a vida que eu necessito pudesse ser sorvida de deus lábios em meio aos seus beijos frios.

Eu queria que amar fosse suficiente e que eu pudesse perdoar tudo, esquecer tudo e curar sozinha cada ferida que suas escolhas, seu egoísmo, leviandade e cegueira fizeram no meu coração, no coração daqueles que eu prezo.

E já que nada disso é possível, eu queria ao menos não amar mais.

Não me ver correndo até você por estradas tortuosas, não ver o chão desaparecer sob meus pés ao simples vislumbrar de sua figura.

Não queria sentir a tristeza no olhar daqueles que me amam ao me ver definhando por você, lutando por você e esquecendo de viver por mim mesma.

Não queria mais ficar comparando minhas pequenas alegrias, meus pequenos momentos de êxtase, com o tempo de solidão que eu roubei de você, as migalhas de sua atenção.

Eu queria te odiar com a mesma intensidade que te amo, ou pelo menos te amar o suficiente para esquecer todo o resto.



"Fico sangrando em meus pensamentos, uma pétala seca cai
Quando as lágrimas que outros derramaram me atormentam
A vida não é hermética, minha ilha fica debaixo do vento
As portas deixam entrar os gritos mesmo quando estão fechadas"
S'il suffisait d'aimer – Céline Dion




- Texto de Kurai Kiryu.


Olá meus queridos, e então, gostaram do texto? Na verdade é uma ficlet postada pela fofa da Kurai Kiryu no site Fanfiction.net no fandom de Naruto casal SasukexSakura. Sim, não parece. Eu, particularmente, cai de amores por esse texto, acho-o incrível e muito sensível. Já o postei no meu tumblr e agora estou trazendo-o para vocês na nossa mais nova sessão: É deles. Ou seja, não é de minha autoria.
Não se esqueçam de participar da PROMOÇÃO RELÂMPAGO.

Entrevista e Promoção Relâmpago

Como eu disse que ficaria programado na postagem anterior, estou vindo com as novidades das editoras parceiras. Me enviaram esta entrevista ontem pela manhã e muito me interessei. A PROMOÇÃO será de uma Agenda Personalizada e um Marca Texto que explicarei depois da entrevista que é meio longa, quem já leu pode ir para o FIM DO POST.



  • Nome: Carmela e Lorenzo
  • Autor: Rubens Conedera
  • Editora: MODO Editora
  • Data de Lançamento: Mês de Abril
  • Sinpse: "Um amor floresceu na Itália Renascentista, contrariando os costumes de uma época em que casamentos aconteciam mediante acordos financeiros. A jovem Carmela e o enigmático Lorenzo apaixonam-se de forma inesperada, dando inicio a uma conturbada história de amor entre tintas, obras de arte e sangue. Um romance cheio de mistérios, onde sentimentos se desenrolam em situações que desafiam o leitor a explorar os limites do amor exposto em cenários ricos em obras de arte, intrigas e violência. Após algumas revelações a cerca do segredo que norteia a vida de Lorenzo, poderá Carmela aceitá-lo como é, desafiando perigos e contrariando aos costumes patriarcais e suas próprias crenças?"


  • Entrevista:

  • Como iniciou a sua carreira com a Literatura? 


 Comecei a ler muito cedo, e ainda na infância surgiu a facilidade para a escrita. Eu enchia cadernos e cadernos com HQ’s, com personagens e aventuras criadas por mim; sempre com incentivo de meus pais. Sempre ganhei livros, e na adolescência, quando comecei a estudar eletrotécnica, associei-me a uma biblioteca ligada a um órgão das industrias da minha cidade, entrando em contato com autores nacionais e internacionais.


  • Existiu a influência de alguma personalidade artística em sua escrita, ou se fez por si? 


Não sei se fui influenciado por alguma personalidade, mas por obras sim, pois não conheço a fundo a vida de nenhum escritor famoso. Quando escrevi “Carmela e Lorenzo”, tive vontade de criar um casal que fosse lembrado, como “Romeu e Julieta”, os lendários “Tristão e Isolda”. Sempre gostei de livros em que o estudo de História estivesse envolvido, assim com Arte, outro assunto que muito me atrai.


  • Existiu algum fato envolto na área literária que marcou sua carreira?


 “Carmela e Lorenzo” é o meu terceiro livro, mas foi o primeiro a ser analisado por um editor. O mais incrível, é que foi considerado digno de publicação, e tudo aconteceu muito rápido. Ler a resenha feita por Adriana Vargas, uma pessoa que tem grande conhecimento e é uma autora de talento, já marcou minha curta carreira de forma que nunca vou esquecer. Receber comentários positivos de colegas e pessoas que leram meus livros já me enchem de orgulho.


  •  Quem são seus grandes ídolos escritores? 


 William Shakespeare, H. G. Wells, Maquiavel, Conan Doyle, Anne Rice, Machado de Assis, Paulo Coelho, David Coimbra. Gosto muito de livros técnicos de História, como os de Paul Johnson.


  • Como é seu relacionamento com suas personagens? 


 Procuro exercitar a empatia, colocar-me no lugar deles. No caso de “Carmela e Lorenzo”, existiram momentos em que lágrimas surgiram, e as sensações visitaram meu corpo. Perdi o sono e as vezes sonhava acordado, até no trabalho.


  • Como é seu relacionamento como autor, com o mundo longe da escrivaninha? 


 Sou uma pessoa simples e discreta, totalmente dedicado a minha família e amigos. Sou avesso a movimento e aglomerações. Procuro sempre atividades ao ar livre, pois minha cidade possui um interior rico em belas paisagens. Pelotas é uma cidade muito bonita. Temos desde praia até cachoeiras, e muitas possibilidades de distrações culturais.


  • Qual a linha literária que hoje escreve e como se relaciona com essa linha? 


 Escrevo algo que aprendi a reconhecer como Literatura Fantástica, com muito romance, aventura e História. Consigo escrever nestas linhas com certa facilidade, pois leio muito, e a disciplina de História nos dá inúmeras possibilidades, por nos colocar em contato com muitas culturas diferentes.


  • De onde, em sua opinião, vem o maior apoio e incentivo aos autores nacionais? 


 Encontrei grande apoio no Clube dos Novos Autores, um blog literário. Depois de ser convidado por Adriana Vargas para participar do Clube, conheci outros blogs literários. A internet é uma ferramenta importante e rápida. Meu livro entrou no booktour, e já foi lido e resenhado em mais dois blogs, fora o Clube. O Clube dos Novos Autores já extrapolou a categoria de blog, é um movimento ou tendência maravilhoso. Através dele fui apresentado a MODO Editora Tradicional, que apoia de verdade novos autores, e tive meu trabalho reconhecido.


  • Como é seu relacionamento com seu público leitor? 


 As poucas pessoas que leram meus livros me procuram, para saber quando sairá um novo livro, sobre qual assunto vou abordar. Meu relacionamento com este pequeno publico é maravilhoso e gratificante.


  • Sob seu ponto de vista, o que atrai mais o leitor para a leitura de um livro? 


 Acho que uma capa bem feita, que revele o assunto do livro atrai muito o leitor. Outra coisa da qual o publico gosta é dinamismo, novidades, mesmo em um gênero cheio de clichês que não cansam, como são os dos romances. Por mais que tentemos mudar os cenários ou planos de fundo, os acasos e os encontros e desencontros, o “eu te amo” dos protagonistas são as letras mais esperadas pelos olhos dos leitores.


  • De onde vem sua inspiração? Tem algum costume ou ritual antes iniciar a escrita? 


 A inspiração para escrever “Carmela e Lorenzo” surgiu do amor que sinto por minha família, e de um pequeno grupo de amigos maravilhosos, pessoas que sempre tem algo diferente a nos dar, mesmo que tenhamos um relacionamento duradouro. A leitura de História e visitas a locais que instiguem minha curiosidade me trazem uma enorme energia e vontade de escrever. Vivendo cada dia e aproveitando o que as pessoas têm de melhor a nos oferecer é uma fonte inesgotável de inspiração.


  • De qual modo, sob seu ponto de vista, poderia se dar a ascensão literária no Brasil? 


 Através da educação em primeiro lugar. Culturalmente, o brasileiro lê muito pouco. Poucas pessoas separam parte do orçamento para comprar livros regularmente. Os pais tem um grande papel em incentivar este habito. Em segundo lugar, divulgação e incentivo por parte do governo.


  • Como é visto por você, a linha do tempo literária brasileira? O que mudou? 


 Vejo que o uso da internet possibilitou o encontro e relacionamento de pessoas que gostam de ler e escrever. Ficou mais fácil de publicar livros, mesmo que de forma independente. Penso que existe um antes e depois na literatura, tanto para produção de obras quanto de divulgação, após a utilização mais larga da internet.


  • Qual o melhor meio de divulgação da obra? 


 A internet é um meio importante, pois através dela o autor pode produzir seu original, encaderná-lo de forma a ser uma produção independente. Depois, podemos apresenta-lo a blogs literários, que saberão com certeza avaliar se a obra é digna de publicação ou não, chamando a atenção das editoras. Depois, com certeza a editora investirá na divulgação da obra, mas tudo parte do autor. Presenças em feiras e eventos sempre que possível também são essenciais. Nada acontece se o autor fica parado.


  • Fale um pouco do seu último livro. 


 “Carmela e Lorenzo” é um romance que se passa na Itália, no período da Renascença. Conta a trajetória da jovem Carmela, e do enigmático Lorenzo, que vivem uma conturbada história de amor, entre tintas, obras de arte e sangue. O livro mostra a luta que duas pessoas tão diferentes travam para permanecerem juntas, onde o leitor é desafiado a testar os limites do amor. Depois que a menina descobre os segredos que cercam Lorenzo e tanto instigaram sua curiosidade, seus sentimentos e convicções são postos em cheque. Os aspectos do amor familiar também são colocados a prova, em um cenário rico em obras de arte, aventura e violência.


  • Deixe um recado para seu público leitor. 


 Gostaria de agradecer por este espaço onde pude falar um pouco de meu trabalho. Espero que gostem de minha obra, que foi escrita com amor e muito esforço, tentando colocar nas mãos do leitor uma obra interessante, que estimule a procura por conhecimento. Gostaria que meus leitores se deixem levar por todos os mistérios e revelações do mundo de Carmela e Lorenzo.


Gente, ele é muito fofo, né? Eu, particularmente, estou muito afim de ler Carmela e Lorenzo. Tinha umas duas perguntas a mais, eu editei para não ficar enfadonho, espero que não tenha deixado nada escapar.


  • Promoção Encerrada!
Sorteei apenas uma Agenda e um Marca Página, pois quero uma para mim. Porém, entretanto e todavia, talvez eu sorteie mais uma assim que recebê-la!

Agora vamos à nossa ganhadora? O sorteio foi feito pelo site random.org, como todos vocês sabem que acontece. Tirei os prints.

  • Enviarei o email imediatamente e ela terá o prazo de 48 horas para me responder, caso contrário um outro sorteio será efetivado.

Patética e Universitária


Eu sou patética. No sentido denotativo, conotativo, metafórico e em todos os sentidos possíveis e impossíveis da palavra. Sou patética porque do mesmo modo que quero desesperadamente algo, choro de medo ao imaginar o que pode ser e acontecer quando conseguir.

Patética por costumar pensar em uma coisa de cada vez para não sofrer antecipadamente e no fim ficar morrendo de medo de coisas que nem sei se podem acontecer. Patética por idealizar um lugar incrível e ficar enojada ao entrar no campus.

Sabem qual a pior parte de se entrar numa universidade federal no curso dos seus sonhos?

É que ela é federal.

Patética sou por imaginar que, mesmo com o governo pouco se importando com suas escolas públicas, o campus de uma faculdade seria incrivelmente bem cuidado, afinal, quem está por lá são pessoas já consideradas adultas.

Bom, de fato não há nenhum ato de vandalismo, só corredores escuros, infiltrações no teto e paredes descascadas. Para não dizer de um todo ruim, a grama estava perfeitamente aparada, e era uma extensão bem grande. Grande o suficiente para uma média de três estupros ao ano.

Também sou muito patética por esperar com tanto medo o trote, por dar ouvidos a todas as   coisas horríveis que já ouvi falar deste ato gratuito e impune de bullyng. Não sei se é o básico ou se é o pesado, não sei o que me farão suportar, eu que raramente consigo suportar alguma coisa humilhante sem começar a chorar.

Sou tão ridiculamente patética que, mesmo sabendo e morrendo de medo do que pode acontecer, não consigo simplesmente decidir não ir às aulas nos primeiros dias, porque sei que posso perder coisas importantes e não quero ser excluída também na faculdade.

Mas, o que definitivamente me classifica como patética, é o jeito caipira daquela pessoa que nunca andou de ônibus e não faz ideia do que fazer. Falam e leio tantas histórias que acontecem neste meio de transporte que não sei se uso mochila, bolsa (qual?) ou simplesmente dou uma de equilibrista e saio com todos os meus livros e material nos braços.

Sem contar a patética saudade e dor no peito que já sinto mesmo sem me separar dele, dela e de todas as poucas pessoas de que algum modo conseguiram ser importantes na minha vida. Mesmo com tudo isso sou patética por querer lutar por essas pessoas mesmo à distância, e acreditar que pode dar certo entre eu e ele quando todos dizem o contrário.

Por fim, sou patética por ser patética, por ter nascido uma pessoa patética e medrosa. Por estudar agora jornalismo e morrer de vergonha de falar em público. Sou tão patética que cheguei ao ponto de vir contar para vocês o quanto sou patética. Só espero que não seja contagioso.

Bom, eis o post prometido sobre a minha entrada na faculdade. Esse post é o post de número 200 e, agora que cheguei nele, resolvi colocar alguma ordem no barraco. O blog será dividido em algumas categorias, as resenhas são fato, não tem como fugir delas, mas restringirei-as à uma vez por semana, e seguiremos mais ou menos a seguinte ordem de posts: Resenha > Post Meu > Novidades das Editoras > Post de alguém.
As novidades das editoras não são 100% certeza, porque elas precisam ter novidades pra mim postar, já esse post de alguém será alguma postagem de um blog que eu gostei, mas principalmente textos de amigos meus desconhecidos que postam ou como fanfic ou de alguma outra forma, mas absolutamente sempre com os devidos créditos.
Já uma vez por mês teremos o autor do mês, que será ou uma mini-biografia ou uma entrevista, dependendo do autor escolhido pela minha pessoa.
Bom gente, fico por aqui, as coisas pra mim andam super corridas e ando tendo de deixar posts agendados, mesmo que esses também estejam difíceis de fazer. Sabe como é, já comecei a encaixotar minhas coisas.


Resenha - Filhos do Éden



  • Nome: Filhos do Éden - Herdeiros de Atlântida
  • Autor: Eduardo Spohr
  • Gênero: Ficção Angélica
  • Páginas: 473
  • Editora: Verus Editora
  • Sinopse: “Há uma guerra no céu. O confronto civil entre o arcanjo Miguel e as tropas revolucionárias de seu irmão, Gabriel, devasta as sete camadas do paraíso. Com as legiões divididas, as fortalezas sitiadas, os generais estabeleceram um armistício na terra, uma trégua frágil e delicada, que pode desmoronar a qualquer instante. Enquanto os querubins se enfrentam num embate de sangue e espadas, dois anjos são enviados ao mundo físico com a tarefa de resgatar Kaira, uma capitã dos exércitos rebeldes, desaparecida enquanto investigava uma suposta violação do tratado. A missão revelará as tramas de uma conspiração milenar, um plano que, se concluído, reverterá o equilíbrio de forças no céu e ameaçará toda vida humana na terra. Ao lado de Denyel, um ex-espião em busca de anistia, os celestiais partirão em uma jornada através de cidades, selvas e mares, enfrentarão demônios e deuses, numa trilha que os levará às ruínas da maior nação terrena anterior ao dilúvio – o reino perdido de Atlântida."



Ao criar A Batalha do Apocalipse, Eduardo Spohr criou um mundo completamente novo e cheio de ideologias. Com Herdeiros de Atlântida ele se consolidou nesse novo universo que é só dele.

Ainda não falei do primeiro livro de um dos meus autores brasileiros preferidos, mas isso porque ainda não tive tempo de relê-lo como toda boa história deve ser relida. Contudo, é nítida a evolução do autor de um volume à outro. Se antes seus personagens eram supostamente superficiais e sem conflitos existênciais, ele supriu tudo com Kaira, a ishim (anjos que governam as forças elementais) e todo o grupo "do bem".

Mas como desvantagem de criar toda uma teoria para a criação do mundo, da existência de Deus - vulgo Yahweh -, o objetivo dos anjos e o que os diferencia dos humanos, Spohr cometeu alguns deslizes básicos, como grandes monólogos acerca dessas teorias de personagens "explicando" a outras personagens e conversas no estilo ping-pong. Porém, dessa vez, numa quantidade ínfima e pouco enfadonha.

Já seus personagens estão melhor trabalhados. Kaira - ishim do fogo -  é a personagem principal e a que menos me agradou. Muito cética do início, curiosa demais no meio e sem algo que possamos chamar de personalidade presente. Levih, um ofanim ("anjo da guarda") já é o bom moço, de bem com todos, sempre tentando algo próximo a reconciliação e completamente incapaz de machucar alguém, mesmo quando é extremamente importante, coisa que irrita bastante.

Urakin é o típico brutamontes, sempre querendo lutar antes e pensar depois. Uma natureza típica dos querubins (anjos guerreiros), que estão sempre dispostos a morrer em batalha e se sentem realizados com o feito. Já Denyel, bom, esse de longe é o mais cretino,  engraçado e bem trabalhado personagem da trama. Confesso que caí de amores por ele logo em suas primeiras cenas. Sendo um exilado - anjo que escolheu viver na terra -, adquiriu, por assim dizer, muitos hábitos terrenos. Como, por exemplo, estar sempre se entupindo de cerveja, mesmo que seja absolutamente claro que os anjos só precisem se alimentar quando estão feridos na Haled - vulgo, Terra.

Dono de um passado sombrio, e não totalmente explicado nesse primeiro volume da trilogia, ele e Urakin tem um caso de extremo ódio só mantido sob controle pela necessidade de protegerem e ajudarem Kaira, cada um por seus motivos.

Como vilões, além dos raptores (humanos que se tornaram demônios), o mais interessante de se analizar é Andril, o Anjo Branco, ishim do gelo, um dos arcontes de Miguel, o anjo que era para Kaira interceptar inicialmente.

Com capítulos curtos porém numerosos - 65 contando com o epílogo -, Spohr não permitiu que a história se tornasse monótona, sempre colocando diversas situações mais complicadas que as outras, transformando a leitura em algo rápido e delicioso. E, para instigar-nos com o segundo volume da trama, Anjos da Morte, ainda nos deu de presente o prólogo do mesmo.

Como um dos poucos autores brasileiros que provam que a literatura fantástica não é um campo de domínio dos norte-americanos e europeus, Eduardo Spohr está certamente na lista de livros que você deve abandonar o preconceito e se aventurar. Afinal, vale à pena.





Demorou, mas chegou. Essa resenha estava prevista para dois dias atrás, mas não tive a oportunidade de fazê-la pois precisei viajar urgentemente para fazer minha inscrição na faculdade. Sim, sou a mais nova caloura de Jornalismo da UFMS, só que isso é assunto prum outro post. Agora que todas as resenhas estão online, é apenas uma questão de tempo para que a promoção seja lançada. Fiquem de olho!








Teimosos


  • A melhor hora para se planejar um livro é enquanto lava-se a louça. – Agatha Christie.


 A gente percebe que as coisas começam a ficar complicadas quando as palavras ficam engasgadas, quando as silabas se misturam e as frases se tornam desconexas.

Às vezes forçamos, esprememos, e tentamos fazer sair qualquer coisa, por mais simples e sem-graça que seja, mas nada dá certo. Aí folhas de caderno são amassadas, lápis aprendem a voar e a cabeça dói de tanto esforço em vão.

Por favor, entenda, por mais que gostemos do ofício de escrever, disfarçar a nossa falta de talento é uma tarefa árdua e difícil. Ainda alimentamos o sonho de que a literatura será capaz de nos garantir um teto seguro e um prato quente no final do dia, por mais utópico que ele pareça a cada dia em que nada desenvolvemos.

Contudo, a paixão que empenhamos no ato da escrita é mais do que o suficiente para nos mantermos firmes e teimosos de que é isso que gostaríamos de fazer de nossas vidas. A esperança nos impulsiona dia após dia, mesmo que seja para ficar horas encarando um papel em branco.

Então, como já expôs Agatha Christie, quando estamos ali, lavando a louça, um estalo e, de repente, temos tudo planejado. Nesse momento agradecemos por não ter desistido. Afinal, o sol brilha para todos.



  • Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente o doce veneno da vaidade no sangue e começa a acreditar que, se conseguir disfarçar a sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de garantir um teto sobre sua cabeça, um prato quente no final do dia e aquilo que mais deseja: seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente vai viver mais do que ele. Um escritor está condenado a recordar esse momento porque, a partir daí, ele está perdido e sua alma já tem um preço. – O Jogo do Anjo, Carlos Ruiz Zafón.

Olá meus amados, gostaram do texto? Ele surgiu depois que eu fiquei horas olhando para meu “caderno de rascunho” tentando bolar algo brilhante e nada saiu. Aí depois eu deixei-me influenciar por esse trecho de O Jogo do Anjo que, se tudo der certo, será resenhado em breve. Já a citação da Agatha, essa frase estava na minha agenda do ano passado e achei tudo a ver enquanto passava para o computador o texto. Comentem, próximo post resenha de... surpresa!

*PS: galera, a Jade precisou viajar à capital do seu estado para se matricular na universidade dela e me pediu para postar este texto, já que ela não teve tempo de tecer a resenha que ela havia prometido! Então publiquei este post que já estava pronto para vocês! Um abraço, Tiêgo.

Vamos voltar a ser típicos?

"Um blog típico combina texto, imagens e links para outros blogs, páginas da web e mídias relacionadas a seu tema. A capacidade de leitores deixarem comentários de forma a interagir com o autor e outros leitores é uma parte importante de muitos blogs."
Fonte: Wikipédia


Por um momento eu achei que fosse tudo coisa da minha cabeça, é que tenho a mania de nunca ter certeza de nada quando minha memória está no meio, mas vi que não é e os veteranos estão reclamando.

Ok, muita hipocrisia da minha parte querer sumir quase que absolutamente por um ano inteiro e voltar como se nada tivesse mudado. Só não esperava algo tão drástico. Quase não encontro mais os meus amigos blogando, os blogs que sigo foram fechados ou estão em hiatus indefinidamente, ou pior, viraram a "massa" dos blogs.

Estou cansada de entrar em 100 blogs num dia e encontrar três ou quatro com o post falando do mesmo assunto, com as mesmas imagens e se duvidar os mesmos textos! Gente escrevendo "Amu vuxês meus miguxus" e com mais de mil seguidores só porque faz promoção de tudo como se estivessem no meio de uma feira livre.

Tudo bem, eu adoro promoções, sou piolha dos blogs literários, estou prestes a fazer uma aqui no blog, mas tudo tem limite, sabe? Já vi gente ficar sem atualizar o blog só pra divulgar a tal da promoção, sair por aí visitando os outros e deixando aquele comentário de "Legal o texto, gostei. Segue? Ah, tem promoção, participa!".

Cadê o respeito? A qualidade? O conteúdo?! Ando apelando até para os blogs diários daquele tipo "hoje acordei, escovei os dentes, fui pra escola e tive aula de matemática...". Eu quero saber o que vocês sentem, quero fazer comentários bobos, dizer que já sofri por amor e sei como se sente. Quero também entender o porquê que você gosta tanto de tal livro, porque não consegue viver sem comer pelo menos uma vez por semana tal comida. Quero saber aquela curiosidade que você descobriu, quero aprender o que você sabe e adoraria transmitir.

Não quero saber do Justin Bieber, qual foi a polêmica do BBB, quem pegou quem em Hollywood ou o que estavam vestindo. Se fosse esse o conteúdo ficaria horas na frente da Rede TV assistindo seus noticiários meia-boca e sensacionalistas.

Eu quero meus amigos de volta, aqueles que comentavam textos porque se identificavam com algo que escrevi e queriam contar uma história parecida. Eu quero gente dando ideias brilhantes ou simplesmente fazendo rir.

Eu quero ver a qualidade, não a quantidade. Se saísse por aí fazendo propaganda teria ibope, mas não teria carinho. Não importa o conteúdo, dê a sua opinião, o seu conceito, não vá pela cabeça dos outros. Não faça o famoso copiar e colar. Seja zeloso com seu blog, escreva corretamente.

Seja um blogueiro dos velhos tempos, do pré-twitter, aqueles que me deixam horas acordadas de madrugada lendo post por post só para saber mais da sua vida. Quem tiver dicas, estou aceitando, com certeza, pois agora quero fazer novos amigos.

Enfim, vamos voltar a ser típicos?



Esse post faz parte do meu grito de guerra para o projeto Volta, Mundo Blogueiro!, criado e idealizado pela Mulher Vitrola, que inspirou o meu texto. Sei que pode causar muita polêmica esse assunto, mas é a minha opinião e nunca fui o tipo de pessoa que se cala. Volta, meu povo. Volta. Por favor!

Resenha - Memórias de uma Gueixa

  • Nome: Memórias de uma Gueixa
  • Original: Memoirs of a Gueisha
  • Autor: Arthur Golden
  • Gênero: Romance
  • Páginas: 460
  • Editora: Imago
  • Sinopse: Seu relato tem início numa vila pobre de pescadores, em 1929, onde a menina de nove anos é tirada de casa e vendida como escrava. Pouco a pouco, vamos acompanhar sua transformação pelas artes da dança e da música, do vestuário e da maquilagem; e a educação para detalhes como a maneira de servir saquê revelando apenas um ponto do lado interno do pulso - armas e mais armas para as batalhas pela atenção dos homens. Mas a Segunda Guerra Mundial força o fechamento das casas de gueixas e Sayuri vê-se forçada a se reinventar em outros termos, em outras paisagens.



Memórias de uma Gueixa é uma obra de ouro. Pode ser lida de diversas maneiras, como o relato de uma mulher e alma que já viveu, como um romance sobre a sexualidade ou até como um passeio histórico pela cultura japonesa.

Mesmo sabendo que seu enredo é totalmente fictício, impossível não chegar a acreditar piamente de que não o é. Quem nos conta a história é Sayuri, uma ex-gueixa que reside nos Estados Unidos e, após décadas de silêncio, resolve contar sobre a vida de Kioto, sua infância e toda a sua trajetória.

A narrativa te faz imaginar uma senhora idosa, usando kimono, numa sala tradicional com paredes de papel de arroz e sentada sob uma almofada. Talvez em cima da mesa que te separa dela um bule de chá e xícaras ricamente adornadas. Com sua voz baixa e calma, ela primeiramente começa a se desculpar por ocultar alguns nome, dando-lhes apelidos característicos e engraçados, como o Sr. Flocos de Neve. Depois de algum tempo, quando ela sente-se mais a vontade, começa a contar-lhe sobre sua infância.

Imediatamente você é transportado para uma outra cena, está no alto de um penhasco, uma casa velha e torta ao seu lado enquanto o vento e a maresia remexem seus cabelos. Aquela casa é conhecida como “a casa bêbada” e onde Sayuri nasceu, ou melhor, Chiyo.

Um pai pescador, uma mãe doente e com pouco tempo de vida, uma irmã atrapalhada e ausente. É isso que Chiyo tem na infância, excetuando-se os banhos no lago e o Sr. Tanaka, o homem que inicia toda a sua trajetória de gueixa. Como? Vendendo-a. Chiyo com nove anos, a irmã com 12. Ambas separadas quando chegam a Kioto, afinal, Chiyo é quem tinha água demais, os traços refinados e olhos cinzentos, já a outra possuía muita madeira e, com isso, era menos bonita.

De repente uma pausa, a senhora de kimono toma um gole de seu chá, nos lábios um sorriso triste de quem invoca lembranças dolorosas, mas superadas.

É isso que acontece quando se lê Memórias de uma Gueixa, você perde totalmente a noção do lugar e espaço em que está, é sugado para um mundo tradicional e diferente do nosso em muitos aspectos. Demorei um pouco para começar a lê-lo, mas depois de iniciada a leitura o ritmo fora quase frenético.

Não é uma história de ação, os acontecimentos são simplórios apesar de estranhos para a nossa cultura, o jeito da narrativa é como se você estivesse ouvindo a história, e não lendo. Cheia de sentimentos e emoções, os olhos ficam cheios de lágrimas em alguns momentos.

Sem dúvidas é um dos livros que me encantaram pela sua simplicidade e exuberância. Eu sorri, morri de raiva de Hatsumomo, tive pena do Sr. Nobu, chorei com as dificuldades, me assustei com a brutalidade e a indiferença que eram tratados muitos aspectos importantes.

Um clássico nem tão antigo assim, a primeira obra de um autor desconhecido, a viagem pela alma de uma mulher. Merece ser lido e relido sempre que se quiser tirar uma grande lição de vida. Pois é disso que ele livro fala, da vida.




Eu adoro esse livro, lembro que quando assisti o filme fiquei chocada, no livro é tudo tão mais  leve e bonito.Espero que tenham gostado, é a penúltima resenha dos livros da nossa enquete. Por último será Filhos do Éden, outro volume que está me deixando deslumbrada. Aguardem.



  • Confira a resenha de todos os livros da Enquete:
  • Memórias de uma Gueixa

Namore uma garota que lê


Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.

Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro. Compre para ela outra xícara de café.

Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa. É que ela tem que arriscar, de alguma forma.

Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.

Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a.

Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.

Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.


- Texto te  Rosemary Urquico.


Não sei se é necessário que eu explique o motivo por estar postando esse post que nem de minha autoria é. Quando eu li pela primeira vez, uma onda de satisfação invadiu-me, porque eu sou uma garota que lê e isso me orgulha, demais. Até hoje, enquanto lia para revisá-lo e programar a postagem, fiquei arrepiada. Sei que muitos aqui já conhecem, mas espero que os que não, gostem tanto quanto eu. Próxima resenha? Filhos do Éden ou Memórias de uma Gueixa, não é certeza. Aguardem! Ah, agora quem quiser formar parcerias, o blog está com a caixinha de link-me (essa já combinando com o projeto do novo layout que sai daqui duas semanas!), é só avisar nos comentários.

Resenha - Liberte meu Coração


  • Nome: Liberte meu Coração
  • Original: Ranson my Heart
  • Autor: Meg Cabot
  • Gênero: Romance
  • Páginas: 404
  • Editora: Galera Record
  • Sinopse: Finnula é a caçula de seis irmãs e um irmão na Inglaterra do século XIII. Enquanto suas irmãs se contentam em fofocar sobre maridos, crianças e afazeres domésticos, Finnula é alvo de comentários maldosos de toda a vila por caçar nos terrenos do conde e por andar por aí em calças de couro justas! Mas de repente Finnula se vê envolvida numa complicação sem tamanho... Uma de suas irmãs acabou com o seu dote comprando vestidos e bugigangas, e a única forma em que as duas conseguem pensar para recuperar esse dinheiro é muito pouco usual... Sequestrar um lorde ou um cavaleiro rico que possa pagar um resgate! O que ela não esperava é que esse sequestro fosse criar mais problemas do que soluções: o cavaleiro recém-chegado das Cruzadas que é escolhido por Finnula vai acabar se mostrando alguém muito diferente do esperado, e a moça pode acabar tendo que abrir mão do resgate... e de seu coração.




Liberte meu Coração foi um dos livros que li mais rápido em toda a minha vida. Foi numa manhã de domingo, 25 de dezembro, que resolvi começar a lê-lo. Em meio as festividades, visitas e tudo o mais, sem contar as risadas que às vezes escapavam enquanto lia algumas páginas num pequeno intervalo de tempo, terminei o livro antes das onze horas da noite do mesmo dia.

Os livros da Meg Cabot sempre foram muito gostosos de ler. Tanto que acostumei-me a degustá-los logo após uma leitura densa, de livros antigos e linguagem rebuscada. É quase como se fosse um livro de descanso. Só que quando eu peguei este livro e comecei minha leitura apenas uma coisa vinha à minha cabeça:

Quem é você e o que fez com a Meg Cabot?

Porque, bom, eu achei muito legal que a "Mia Thermopolis" tenha escrito a história  - princesa da série O Diário da Princesa da mesma autora - e que todos os direitos autorais tenham sido doados ao GreenPeace, um gesto que dá vontade de aplaudir em pé.

Só que não acho que tenha sido necessário que a autora mudasse tanto sua estilística para isso. Afinal, o livro é em Terceira Pessoa, e isso é uma novidade incrível, onde a autora se deu muito bem. Agora, o que me assustou é que a Meg não pareceu nem um pouco afim de atingir o público infanto-juvenil, apesar dele estar classificado dessa forma em sua contra-capa.

Pela quantidade de cenas eróticas e a riqueza de detalhes, eu me senti lendo mais um dos volumes da (Texana e incrível) Cadence Camp. É quase como uma evolução da autora para algo mais maduro, mesmo que a história não seja muito inovadora.

Tudo bem, Finnula usa calça de couro, é caçadora e totalmente independente. Ela sequestra um cara que - adivinha? - é só o conde do feudo em que vive. Tipo, só por coincidência.

A narrativa é agradável, há cenas muito engraçadas, pois a doce Finn é, apesar de tudo, muito ingênua e o conde Hugo é um homem percipicaz e sutilmente safado. As trapalhadas em que ambos se metem são cômicas, principalmente quando ela se estressa e tenta se livrar dele e ele simplesmente não quer sair do cativeiro.

Claro que, por trás disso tudo, há intrigas e segredos. Primeiro que o conde Hugo, não se chama Hugo, e usa esse nome exatamente para esconder da jovem a sua identidade, já Finn tem um passado muito complexo e traumatizante.

Em resumo, Meg Cabot se reinventou numa história de época incrível, madura e altamente clichê. Uma ótima pedida quando a complexidade de outros volumes ou até mesmo os livros didáticos estão acabando com a pouca sanidade que lhe resta, pois por mais que ele grude seus olhos nas páginas, você relaxa.


Cá estamos nós com mais um dos livros presente em nossa enquete. O que acharam? É realmente uma leitura muito agradável. A votação está com tudo, continuem assim, pois assim que atingirmos um número X de votos começarei a promoção. O próximo? Filhos do Éden, aguardem!


  • Confira a resenha de todos os livros da Enquete:
  • Liberte meu Coração