Sobre vazios e preenchimentos


Tem um vazio bem aqui dentro do peito, e um vazio logicamente significa que há algo faltando, pois aquele espaço deveria estar preenchido. Preenchido. Eis a palavra chave, talvez. É tão subjetivo. O que quero dizer é que... não sei o que quero.

E que tem um vazio.

Um vazio que não consigo identificar para, enfim, preenchê-lo.

E eu realmente gostaria de fazer isso, porque dói. Mentira. Não dói, é só... um vazio. Aquela sensação oca e agoniante de que tem alguma coisa muito importante fora do lugar e não consegue saber o que é.

Talvez seja o sentimento. Dizem que ando tão fria, insensível e grossa com as pessoas. Me falta um sentimento bom, porque de algum modo não consigo me ver como a mocinha da história, mas sim a louca, psicótica e complexa vilã.

Mas se sou desprovida de sentimentos como tantos gostam de dizer, porque incomoda, fere e dói? Porque eu sinto que falta algo na minha essência que parece ser de suma importância?

Gostaria de ser espectadora de mim mesma, assistir tudo etereamente como se aquela não fosse eu, e os problemas não fossem meus. Definitivamente. É clichê reclamar da vida e nem sofrer tanto quanto diz, futilidades que julguei tantas e tantas vezes. Mas tenho a absoluta certeza que falta algo, e quero esse algo de volta.

O que poderia faltar?

A ingenuidade. Os sentimentos superficiais que me moviam. Quando mais nova não cavava um buraco no peito a cada decepção, era o ditado tão antigo de que entrava por um ouvido e saía pelo outro. Agora, o que me resta?

Sinto falta de um amigo, de um amigo de verdade. Só pra variar, mudar esse status eternos de colegas de classe e conversas online. Mas ao mesmo tempo, quero tirar um tempo pra mim, me afastar de tudo e de todos. Estar sozinha me agrada, sempre agradou.

Este monólogo vazio, que provavelmente não me ajudará a chegar em conclusão nenhuma só serve para expor a relatividade de minhas vontades, de meus sentimentos e a confusão que sou obrigada a enfrentar todos os dias por simplesmente ser eu. E ser eu é um porre.

Ou talvez esteja exagerando, lendo Zafón demais e trabalhando demais com as palavras, deixando-me levar pelos seus floreios. De tudo que nada sei - influência de Platão, talvez? -, só sei que está faltando algo que me complete, que me faça sentir viva e feliz.

Algo que me motive, que faça com que me destaque. Me falta a força de vontade, a destreza e a teimosia que tanto uso de maneira errada.

Me falta ter a liberdade para realmente viver.

Talvez, só me falte crescer.



Deprimido demais, tenho essa impressão, mas faz tanto tempo que não escrevo aqui que decidi manter. Espero que os poucos que me sobrara não me abandonem depois dessa desabafo. Mas ando cansada e realmente tá faltando alguma coisa aqui.